Todos discípulos missionários

CALENDÁRIO PAROQUIAL PASTORAL 2018/2019

(Re)Descobrir a dimensão missionária da fé e crescer na capacidade de sair em missão ao encontro de todos, a começar na nossa própria casa, é o desafio e convite que nos é feito neste novo Ano Pastoral e na sequência dos anos anteriores: Todos enviados e enviados a todos, como o papa Francisco já aponta n’A Alegria do Evangelho, no capítulo III.

Escreve assim o papa Francisco: “Certamente todos somos chamados a crescer como evangelizadores. Devemos procurar simultaneamente uma melhor formação, um aprofundamento do nosso amor e um testemunho mais claro do Evangelho”. (121)

Estão aqui indicadas três acções fundamentais: formação, amor (vida de comunhão) e testemunho, que teremos de ter em conta ao pensar o novo Ano Pastoral

Mas temos também de ultrapassar ‘a síndrome de Jonas’, como está reflectido no texto do nosso bispo: como Jonas, certamente não nos apetece ir, não nos apetece sair da ‘nossa zona de conforto’, não sabemos como as pessoas reagirão, temos muitos medos e incertezas…

Por isso, escreve o nosso bispo: “Convoco-vos, irmãos, para descermos à rua, pois só aí encontramos as pessoas concretas que, mesmo sem o saberem, anseiam o anúncio da salvação. Não temos direito de ficarmos na janela a ver passar essa enorme multidão dos que nunca receberam o dom da fé ou já não conhecem o Senhor, “único nome no qual podemos ser salvos” (At 4, 12). Como lhes disse no dia de início do meu ministério nesta Diocese do Porto, somos uma equipa constituída somente por titulares. Ninguém – ninguém mesmo! – fica no banco dos suplentes. Todos e cada um descemos ao relvado para fazermos a parte que nos toca. Claro que nem todos são guarda-redes ou avançados. Mas se todos «derem o melhor de si» no lugar que lhes compete, a equipa será coesa, determinada, vencedora.

Ninguém diga que não sabe evangelizar. A tarefa de comunicar Jesus não depende de esquema pré-elaborados, mas do fogo do amor que Ele derrama nos nossos corações e que nos contagia interiormente.”

Na apresentação pública falou mesmo de ‘uma Igreja que seja Obra da Rua’.

O que é que isto pode e deve significar, concretamente, para nós, paróquia de Matosinhos? Que tipo de acções nos pede? Que criatividade nos exige?

Há uma indicação concreta que é decisiva: evangelizar por contágio, pessoa a pessoa. Palavras do nosso bispo: “Gostaria que todo o nosso ano pastoral fosse atravessado pela atitude geral e dominante do “amigo traz amigo” ou «todos à procura de mais um». Assim, por exemplo, um aluno de Educação Moral e Religiosa Católica deveria colocar como objetivo que um colega, não inscrito, passasse a inscrever-se; uma criança ou adolescente que anda na catequese, fizesse o mesmo com um amigo que não frequenta; que um jovem da pastoral universitária ou do grupo de jovens da paróquia «conquistasse» um companheiro mais «afastado» dessas coisas; que um seminarista «entusiasmasse» um outro possível seminarista; que uma família «adotasse» outra família para lhe difundir a mensagem cristã, particularmente entre alguma que saiba estar em dificuldades de relacionamento ou que já se fraturou; etc.”

Claro que isto ‘obriga’ a mudar a mentalidade e os modos habituais: “Não seremos nós os que, consciente ou inconscientemente, menos se deixam tocar pela graça e menos se convertem? As nossas rotinas, o nosso formalismo, as nossas ideias pré-concebidas, o nosso autoritarismo, a recusa de sairmos da nossa zona de conforto, o finca-pé de apenas repetirmos o que sempre se fez, tudo isto não exprimirá um fixismo de uma mentalidade que não aceita que se façam “novas todas as coisas” (Ap 21, 5).” (Plano Diocesano))

“Então – escreve ainda o nosso bispo –, desejaria, também, que este ano fosse marcado pela dinâmica da conversão: conversão do nosso coração e da nossa mentalidade. Só isto nos permitirá criar comunidades missionárias que não passem a vida a repetir indefinidamente o que sempre se fez, mas a «fazer» evangelicamente o que há que fazer neste nosso tempo.”

É interessante isto: a missão começa na minha conversão.

Vamos então ‘entrar em campo’ e ‘jogar’ juntos o ‘jogo da Missão’.