A Festa do Senhor de Matosinhos no Ano Missionário

NOVENA DO SENHOR DE MATOSINHOS

Sexto passo para uma espiritualidade missionária: Encontrar um novo estilo de proceder

8º DIA – 8 JUNHO

Uma vez que amanhã, Domingo de Pentecostes, esta Missa da Novena será presidida pelo senhor padre Avelino – que fará a sua própria homilia, concluímos hoje a ‘peregrinação interior’ que propus, à volta de alguns passos, algumas atitudes e dimensões, fundamentais para uma espiritualidade missionária e necessárias para a conversão missionária que a Igreja é chamada a fazer pelo papa Francisco, muito concretamente na sua Exortação A Alegria do Evangelho.

Cuidar a relação pessoal com Deus Pai, aprofundando aquela intimidade e confiança que o próprio Jesus Cristo vivia e manifestava, na Oração Sacerdotal que ouvimos nas passagens do Evangelho; cada dia, cada um de nós, assemelhar-se sempre mais, a Cristo, aprendendo, diante da Cruz a amar e entregar a vida como Ele; estarmos abertos aos dons do Espírito Santo, pis é Ele que nos fortalece e trabalha e torna capazes de levar a cabo a missão própria que o Senhor confia a cada um de nós; acompanharmo-nos mutuamente na fé, aprofundando e vivendo a dimensão comunitária da fé, porque ninguém é cristão sozinho nem por sua conta, mas sempre em comunhão e unidade pela qual Jesus rezou; encontrar um novo estilo de agir, estando sempre dispostos a responder à pergunta: o que é que eu posso fazer, como posso eu contribuir, para que o Evangelho de Jesus Cristo chegue a todos e a Igreja seja missionária?, sem achar que são os outros que devem fazer isto ou aquilo.

Estes foram o ponto de partida para as homilias dos dias anteriores. Hoje, concluo propondo este novo passo, esta nova atitude: Viver o espírito de serviço.

O critério para ficarmos a saber, para vermos, se a espiritualidade missionária é autêntica em cada um de nós, e portanto na nossa paróquia, está no espírito de serviço, que vivemos ou não vivemos, que mostramos ou não mostramos, e que nasce da convicção interior – da convicção do coração – e do sentido de responsabilidade pessoal diante do mandato de anunciar o Evangelho. O papa Francisco, tantas vezes citado ao longo da Novena, deseja, pede, uma consciência missionária em todos os âmbitos e assinala também alguns desafios que temos de enfrentar na vida pastoral de cada dia e todos os dias. Escreve ele:

“Quando mais precisamos dum dinamismo missionário que leve sal e luz ao mundo, muitos leigos temem que alguém os convide a realizar alguma tarefa apostólica e procuram fugir de qualquer compromisso que lhes possa roubar o tempo livre. Hoje, por exemplo, tornou-se muito difícil nas paróquias conseguir catequistas que estejam preparados e perseverem no seu dever por vários anos. Mas algo parecido acontece com os sacerdotes que se preocupam obsessivamente com o seu tempo pessoal. Isto, muitas vezes, fica-se a dever a que as pessoas sentem imperiosamente necessidade de preservar os seus espaços de autonomia, como se uma tarefa de evangelização fosse um veneno perigoso e não uma resposta alegre ao amor de Deus que nos convoca para a missão e nos torna completos e fecundos. Alguns resistem a provar até ao fundo o gosto da missão e acabam mergulhados numa acédia paralisadora.” (81)

Acédia é uma palavra difícil, mas muito poderosa: significa, apatia, indolência, inércia, negligência, preguiça, tibieza… Diz o papa Francisco que alguns não chegam a saborear a alegria da missão, a alegria da fé, a alegria da comunhão, a alegria da comunidade e de ser Igreja por causa dessa acédia, dessa falta de entrega e de entusiasmo.

A maturidade humana e espiritual das pessoas activas na Igreja, daqueles que eu prefiro chamar ‘servidores’ e não colaboradores – tenho muita dificuldade em lidar com quem faz um jeito de vez em quando, quando pode ou quando não tem outra coisa para fazer ou quando lhe apetece –, a maturidade humana e espiritual das pedras vivas da Igreja é um pressuposto fundamental para a fecundidade da sua acção. A tarefa espiritual de cada um trabalhar, servir, por convicção pessoal, com entusiasmo e alegria, é um permanente desafio que é colocado a cada um de nós. Pode ser que tudo isto nos pareça simples e já muito sabido, ou que são os outros que precisam disso. Mas não. Tudo isto continua muito actual e é cada vez mais necessário. O ressurgimento da Igreja que esperamos só dará resultados – a Igreja só será missionária e dinâmica – se todos os servidores da Igreja – ‘o pessoal de terra de Deus’ – bispos, padres, diáconos e servidores leigos – nos tornarmos mais espirituais, isto é, mais movidos pelo Espírito e pelos seus dons e não pelos nossos gostos ou apetites. Quando isso acontecer, quando formos mais habitados e dinamizados pelo Espírito, seremos também mais humanos, porque seremos homens e mulheres de Deus.

Nós sabemos isso: quem tem responsabilidade na Igreja, repito, não apenas o bispo, o padre ou o diácono, mas todos os que exercem um serviço, seja ele qual for, também zelar pelos altares da igreja, pode obscurecer a força radiante da fé ou fazê-la brilhar ao máximo. Para isso, a Igreja não precisa de ‘homens de acção’, mas de místicos. O decisivo na Igreja não é a aparência, mas ser de Cristo, o ser cristãos em Cristo.

Não foi outra coisa que Jesus perguntou, pediu e mandou a Pedro, nas passagens do Evangelho de ontem e de hoje: «Pedro, amas-Me?» Mesmo tendo consciência dos nossos pecados e fragilidades, como Pedro já tinha depois de ter passado pela experiência de negar Cristo, no momento da paixão, tenhamos a ousadia de responder: ‘Sim Senhor, Tu sabes que farei tudo pra Te amar e para anunciar o Evangelho do teu amor.’

Se o futuro de uma Igreja missionária depende de todos nós – e não apenas do papa Francisco que tanto insiste nessa conversão – então é decisiva a resposta que dermos a esta pergunta de Jesus, a questão se nós mesmos, fiéis cristãos, vivemos o Evangelho. Só assim nos converteremos em exemplos e mestres da fé, em testemunhas da fé que professamos e celebramos.

Não esqueçamos que a fé, sendo comunitária e não sendo individual, é a cada um de nós pessoalmente que responsabiliza. Temos de evitar diluirmos num ‘nós’ desresponsabilizante e também num ‘eles’ igualmente desresponsabilizante. Se eu digo que a Igreja tem de mudar e de renovar-se, então tenho de dizer primeiro como cristão: ‘Tenho de pôr-me a mim próprio no lugar da Igreja, de modo a que essa exigência me implique: eu mesmo tenho de mudar e de renovar’. A Igreja não existe em abstracto: eu sou, nós somos, a Igreja. Mas, do mesmo modo que o hábito não faz o monge, também o Baptismo, ou a Ordem ou qualquer outro sacramento não actuam de maneira mágica: não sou melhor pessoa apenas porque fui baptizado; sou melhor pessoa porque procuro pôr em prática o Evangelho, porque procuro deixar que o Espírito e os seus dons trabalhem em mim. Para que a graça dos sacramentos seja eficaz e me transforme, os que recebem os sacramentos têm de cooperar com Deus. Ainda que pareça estranho, a verdade é que nós temos de ajudar Deus a ajudar-nos, temos de fazer a nossa parte para Deus nos ajudar.

Viver num espírito de serviço significa fazer minha a oração de Jesus ou de Maria: Faça-se a tua vontade. Esta atitude devia caracterizar, estar inscrita no coração de cada um de nós, sobretudo dos servidores da Igreja, da paróquia. Sem um testemunho de entrega espiritual de mim mesmo, sem a magnanimidade e a maturidade espiritual de cada um de nós, a paróquia não conseguirá anunciar o Evangelho de maneira perceptível e credível, não conseguirá ser uma paróquia missionária.

Bom Jesus de Matosinhos, pregado na cruz por nosso amor e ressuscitado para nos dar a vida eterna, ensinai-nos a viver o vosso espírito de serviço, para sermos discípulos missionários da vossa entrega até ao fim. Ámen. Aleluia.

Quinto passo para uma espiritualidade missionária: Encontrar um novo estilo de proceder

7º DIA – 7 JUNHO

Cuidar a relação pessoal com Deus Pai, à imagem do próprio Jesus Cristo, assemelhar-se cada um de nós, cada dia mais, a Cristo, estarmos abertos aos dons do Espírito Santo e deixarmos que Ele nos fortifique e trabalhe para podermos levar a cabo a missão que cabe a cada um de nós,  acompanharmo-nos mutuamente na fé, aprofundando e vivendo a dimensão comunitária da fé e estar agradecidos por todo o bem que a Igreja já realiza no mundo em favor dos homens e mulheres, especialmente os mais necessitados, foram os passos já reflectidos ao longo desta Novena, no caminho de conversão a uma espiritualidade missionária.

Hoje, damos mais um passo: encontrar um estilo novo de proceder, de agir, de fazer as coisas. Precisamos mesmo de encontrar um estilo novo para sermos cristãos, para anunciarmos e testemunharmos a fé. É o próprio papa Francisco que escreve na Exortação ‘A Alegria do Evangelho’: “Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo actual que à auto-preservação. A reforma das estruturas, que a conversão pastoral exige, só se pode entender neste sentido: fazer com que todas elas se tornem mais missionárias, que a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de «saída» e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade. Como dizia João Paulo II aos Bispos da Oceânia, «toda a renovação na Igreja há-de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial».” (12)

Não me canso de lembrar estas palavras. São para mim, um grande desafio. Mas reconheço que uma grande parte dos consumidores de religião – que acabam a consumir os outros que querem avançar – não estão para aí virados, preferem manter as coisas como estão, seja por medo, seja por comodismo, porque a mudança dá sempre trabalho e desinstala.

A verdade é que uma espiritualidade missionária nos dá, se for verdadeira, a coragem e a lucidez da autocrítica e do exame de consciência, em vez de estarmos sempre a ‘passar as culpas’ para os outros ou para a Igreja. Tenho de ser sempre eu, em primeiro lugar, a pôr-me em causa, a perguntar-me como estou a agir. Todos sentimos como a primeira tentação é desculpar-nos. Mas isso é mais próprio das crianças. Será que a nossa fé é assim tão infantil?

Como já referi, o papa Francisco apela, convida, urge a uma nova motivação de todo o povo de Deus e torna bem claro porque é que necessitamos, na Igreja, de uma mudança de mentalidade e de um estilo novo.

Ainda mais umas palavras do papa Francisco: “A pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: «fez-se sempre assim». Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objectivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respectivas comunidades. Uma identificação dos fins, sem uma condigna busca comunitária dos meios para os alcançar, está condenada a traduzir-se em mera fantasia. A todos exorto a aplicarem, com generosidade e coragem, as orientações deste documento, sem impedimentos nem receios. Importante é não caminhar sozinho, mas ter sempre em conta os irmãos e, de modo especial, a guia dos Bispos, num discernimento pastoral sábio e realista.” (33)

O que é preciso é provocar nada menos do que uma revolução do coração e do amor. Na Igreja, em Igreja, todos deveríamos perguntar-nos, cada um deveria fazer esta pergunta: Como posso eu, no meu lugar, na minha vida, no meu serviço pastoral, fazer com que o Evangelho de Jesus Cristo se torne uma realidade mais perceptível, mais capaz de chegar e tocar a vida das pessoas? Sabendo que, só se nós escutarmos verdadeiramente a voz viva do Evangelho, a palavra viva que nos é oferecida, na Eucaristia e na celebração de qualquer sacramento, é que podemos também oferecer uma voz audível ao Evangelho vivo.

Façamos então, hoje, uma espécie de exame de consciência, um exercício de autocrítica, a partir algumas frases que dizemos ou ouvimos no dia-a-dia e até nas reuniões paroquiais:

«A Igreja deve ser acolhedora»: Eu mesmo, como pessoa e como cristão, tenho de tornar-me acolhedor.

«A Igreja deve estar perto de Deus e dos homens»: Eu, como crente devo estar próximo de Deus para poder estar com os homens.

«A Igreja deve ser capaz de dialogar»: Eu próprio devo examinar-me e ver até que ponto sou capaz de dialogar.

«O poder na Igreja tem de ser serviço»: Eu próprio, como é que entendo o meu serviço? Como sou servidor? Como vivo o meu serviço?

«A Igreja deve ser estimulante e atractiva»: Eu, o que é que faço para que a Igreja se torne atraente para as pessoas, nomeadamente para os jovens?

«A Igreja deve ser autêntica e credível»: Eu vivo a fé de modo autêntico e credível?

«A Igreja deve ser misericordiosa e compreensiva»: Eu mesmo tenho um comportamento misericordioso, ou, pelo contrário, tenho um comportamento autoritário e narcisista, auto-referencial?

«A Igreja não pode pôr-se a ela mesma no centro»: Quantas vezes é que eu fico ferido e de mau-humor por não ser eu a estar no centro? Não ser eu o primeiro? Não ficar na fotografia?

Cada um dos ‘deveria ser assim’, ‘teria de ser assado’, que eu diga, volta-se inevitavelmente sempre contra mim mesmo. Nunca haverá, na Igreja’ uma verdadeira mudança, uma verdadeira conversão, enquanto não combatermos e ultrapassarmos o pecado do ‘dever-se-ia’.

É o papa Francisco que escreve:  “Neste contexto, alimenta-se a vanglória de quantos se contentam com ter algum poder e preferem ser generais de exércitos derrotados antes que simples soldados dum batalhão que continua a lutar. Quantas vezes sonhamos planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados! Assim negamos a nossa história de Igreja, que é gloriosa por ser história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso, porque todo o trabalho é «suor do nosso rosto». Em vez disso, entretemo-nos vaidosos a falar sobre «o que se deveria fazer» – o pecado do «deveriaqueísmo» – como mestres espirituais e peritos de pastoral que dão instruções ficando de fora. Cultivamos a nossa imaginação sem limites e perdemos o contacto com a dolorosa realidade do nosso povo fiel.” (96)

Todos ansiamos, com razão, uma Igreja autêntica, humilde, simples e credível. Mas esse anseio só se cumprirá quando cada um de nós, quando cada crente e cada pessoa activa na Igreja, viva o seu ser cristão de um modo autêntico, humilde, simples e credível, e dê testemunho disso. Não é a Igreja que tem de ser isto ou aquilo, eu é que tenho de ser discípulo missionário, eu é que tenho de ser cristão, eu é que tenho de praticar o Evangelho. Quando cada um de nós fizer isso, então a Igreja será isso. Mas essa, como sabemos é uma exigência que só conseguiremos cumprir se pedimos todos constantemente na oração a força do Espírito Santo.

Bom Jesus de Matosinhos, ensina-nos a viver a fé com autenticidade, com simplicidade e humildade, para sermos pedras vivas da tua Igreja, para sermos discípulos missionários do teu amor e da alegria do Evangelho. Ámen. Aleluia.

Quarto passo para uma espiritualidade missionária: Acompanharmo-nos mutuamente na fé e agradecer pelo bem que a Igreja faz

6º DIA – 6 JUNHO

Continuamos a Novena do Senhor de Matosinhos e, neste Ano Missionário, tentamos aprofundar e tomar consciência daquelas dimensões ou atitudes fundamentais para vivermos uma espiritualidade missionária, para sermos verdadeiramente discípulos missionários do Evangelho que é Jesus Cristo.

Depois de falar da necessidade de cuidar a relação pessoal com Deus, da urgência de cada de nós se assemelhar a Cristo e da necessidade de estarmos abertos aos dons do Espírito Santo para podermos levar a cabo a própria missão, a missão que cabe a cada um de nós, hoje, já no 6º dia da Novena, proponho uma das dimensões da fé que constituem uma grande dificuldade e da qual muitos baptizados, de facto, não têm ou têm pouca consciência: a fé é sempre comunitária, é sempre comunhão. Por isso, somos chamados a acompanharmo-nos mutuamente na fé, a percorrer sempre juntos, como povo de Deus, os caminhos da Missão, o caminho que nos levará ao Céu; e, portanto, a valorizar e agradecer todo o bem que recebemos da nossa mãe Igreja e que a Igreja faz em favor em favor de muitos.

Se experimentamos pessoalmente a fé como uma força que torna possível e alimenta a vida em plenitude – a alegria completa de que Jesus fala tantas vezes – então cresce em nós o desejo de partilhar essa experiência com outras pessoas. Uma espiritualidade missionária faz florescer lugares vitais da fé, isto é, lugares onde a fé é alimentada e cresce, lugares nos quais os encontros, os diálogos sobre a fé e o acolhimento feliz e fraterno, o gosto de estarmos uns com os outros, fazem parte do nosso estilo de vida. A participação, a solidariedade e o amor fraterno tornam visível a força criativa do Evangelho, quando os cristãos – os paroquianos – procuram caminhos para se acompanharem mutuamente na fé e na vida. Quando não existe esta dimensão e esta alegria de estarmos juntos, de caminharmos juntos, alguma coisa não está bem. A fé nunca é uma experiência individual, nunca é uma ligação directa com Deus: a fé é sempre um ‘Nós’: eu sou porque nós somos, disse um teólogo.

Só poderemos converter-nos numa Igreja – numa paróquia – estimulante, aberta e acolhedora, na medida em que cada um de nós, com o selo da verdadeira catolicidade da Igreja e o suporte de uma espiritualidade missionária, desenvolve uma cultura de estímulo, de abertura, de acolhimento. De facto, somos ‘muito pouco católicos’. Quero dizer, em muitas circunstâncias, somos muito fechados em nós mesmos, no nosso grupo, com pouquíssima capacidade para abrir os braços a quem chega de novo, seja na Catequese, no Coro, na própria Eucaristia. Mas esta atitude está intimamente ligada ao modo como cada um de nós entende e vive a relação interior, de coração, com Cristo. Porque é essa relação que é a fonte da força que nos levará a ser e fazer uma Igreja aberta e focada nas pessoas, e não em tantas outras coisas como acontece muitas vezes.

É de cada um de nós que depende sermos ou não verdadeiramente ‘católicos’, isto é, universais e fazendo um esforço permanente de aprofundamento da fé. Portanto, todos somos chamados a fazer-nos ‘católicos’, a honrarmos o nome de ‘católicos’, neste sentido pleno de viver e agir a partir dessa riqueza que é ser católico, isto é, universal. Precisamos de reflectir muito sobre isto, porque a Missão depende disto. Não confundamos ser católico com estar fechado numa igreja, mas precisamente o contrário: ser católico é estar aberto a todos e caminhar com todos.

Se a relação com Cristo é realmente viva, então fará brotar novas relações mútuas e, com isso, uma rede de irmãos, uma rede de fraternidade cristã. Não é sem razão que se fala da Família da Igreja, que se diz que a paróquia é ‘família de famílias’. Temos de evitar tudo aquilo que nos impede de viver a alegria do Evangelho, deixando que o encontro com Cristo nos cure e nos transforme.

Ao falar das tentações dos agentes pastorais e insistir na necessidade de criarmos relações novas em Jesus Cristo, escreve o papa Francisco: “Nisto está a verdadeira cura: de facto, o modo de nos relacionarmos com os outros que, em vez de nos adoecer, nos cura é uma fraternidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano, que sabe tolerar as moléstias da convivência agarrando-se ao amor de Deus, que sabe abrir o coração ao amor divino para procurar a felicidade dos outros como a procura o seu Pai bom. Precisamente nesta época, inclusive onde são um «pequenino rebanho» (Lc 12, 32), os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf. Mt5, 13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora. Não deixemos que nos roubem a comunidade!” (92)

Mas devemos acrescentar ainda uma outra reflexão, ligada a esta: estar agradecidos pelo bom da Igreja, pelo bem que a Igreja faz.

Ouçamos o papa Francisco, n’ A Alegria do Evangelho (76):

“Sinto uma enorme gratidão pela tarefa de quantos trabalham na Igreja. Não quero agora deter-me na exposição das actividades dos vários agentes pastorais, desde os Bispos até ao mais simples e ignorado dos serviços eclesiais. Prefiro reflectir sobre os desafios que todos eles enfrentam no meio da cultura globalizada actual. Mas, antes de tudo e como dever de justiça, tenho a dizer que é enorme a contribuição da Igreja no mundo actual. A nossa tristeza e vergonha pelos pecados de alguns membros da Igreja, e pelos próprios, não devem fazer esquecer os inúmeros cristãos que dão a vida por amor: ajudam tantas pessoas seja a curar-se seja a morrer em paz em hospitais precários, acompanham as pessoas que caíram escravas de diversos vícios nos lugares mais pobres da terra, prodigalizam-se na educação de crianças e jovens, cuidam de idosos abandonados por todos, procuram comunicar valores em ambientes hostis, e dedicam-se de muitas outras maneiras que mostram o imenso amor à humanidade inspirado por Deus feito homem. Agradeço o belo exemplo que me dão tantos cristãos que oferecem a sua vida e o seu tempo com alegria. Este testemunho faz-me muito bem e me apoia na minha aspiração pessoal de superar o egoísmo para uma dedicação maior.”

Sublinho esta ‘confissão’ do papa Francisco que também precisa do nosso trabalho, do trabalho dos cristãos para ‘ser papa’. Acontece o mesmo com todos: somos mesmo muito importantes uns para os outros e para a missão que nos está confiada. Pensemos sempre nisso. Quando não estamos, quando faltamos, fazemos falta, muita falta.

Sim, como cristãos católicos podemos estar agradecidos e orgulhosos, no bom sentido da palavra, claro, porque, no mundo, não há nenhuma instituição que faça tanto bem, como a Igreja. Faz parte de uma espiritualidade missionária o estar alegres e agradecidos à causa do Evangelho pelo bem e belo que acontece na Igreja e dar testemunho disso.

Dizer isto não é para nosso orgulho e para descansarmos, mas para darmos continuidade a todos esse trabalho e testemunho de tantos que nos precederam, de tantos que caminham hoje ao nosso lado. E fazer tudo para outros o digam de nós, o vejam em nós.

Bom Jesus de Matosinhos, ensinai-nos a viver a fé em comunhão, a assumir o compromisso de caminharmos sempre mais juntos, como novo Povo de Deus, chamado a deixar a marca do Evangelho neste tempo e neste mundo que nos confias. Ámen. Aleluia.

Terceiro passo para uma espiritualidade missionária: Estar aberto aos dons do Espírito e levar a cabo a própria missão

5º dia – 5 JUNHO

Nestas homilias da Novena do Bom Jesus de Matosinhos, temos vindo a aprofundar alguns elementos que são essenciais e imprescindíveis para uma espiritualidade missionária, aquela espiritualidade que é própria do discípulo missionário e é amplamente proposta e pedida pelo papa Francisco na Exortação ‘A Alegria do Evangelho’.

 Depois da necessidade de cuidar a relação pessoal com Deus e da urgência de cada baptizado se assemelhar a Cristo, hoje vou falar da necessidade de estarmos abertos aos dons do Espírito Santo, para podermos levar a cabo a própria missão, a missão que cabe a cada um de nós. Sendo a mesma Missão: anunciar a alegria do Evangelho, cada um de nós, segundo a sua vocação e situação, tem de cumpri-la de modo próprio e pessoal.

Antes de avançar, volto a dizer como todos devemos aproveitar a Novena para empreender uma peregrinação interior que nos leve a descobrir, de novo, e de maneira renovada, o que é ser cristão, o que é ser de Cristo. E é o Espírito Santo que nos há-de ensinar isso e fortalecer para o sermos verdadeiramente.

Por isso, a espiritualidade missionária é viver com a confiança de que o Espírito de Deus, e só Ele, pode renovar tudo, até a nós, se O deixarmos. Se nos abrimos ao Espírito de Deus, Ele é capaz é capaz de fazer tudo aquilo que nós não conseguimos sozinhos nem por nossa conta. Quem dera que acreditássemos nessa força do Espírito, quando dizemos que não sou capaz disto, não tenho jeito para aquilo… Nós podemos não ter, mas o Espírito terá por nós, far-nos-á ter…

A vida espiritual é exercitar-se – alguém diz que a fé, a espiritualidade, ser cristão é uma questão de ginástica e não de estética – na capacidade de reconhecer aquilo que Deus faz em nós: ‘Faça-se em Mim, segundo a tua Palavra’, respondeu Maria. É assim que nos capacitamos, que criamos condições para nos elevarmos até Deus, em oração. A oração é o sinal maior da nossa confiança em Deus; rezamos, animados e inspirados pelo Espírito, porque confiamos em Deus e no seu amor.

O Espírito de Deus que trabalha em nós tem ainda uma outra missão: abre e alarga o nosso coração, libertando-nos de uma espiritualidade encapotada; impedindo que fiquemos numa atitude de espiritualismo sentimental que não leva a acção nenhuma. O Espírito de Deus move-nos a fazer o bem e a partilhar a vida com os outros. Pensemos, por exemplo em Santa Teresa de Calcutá: foi o Espírito que a levou e fez trabalhar junto dos moribundos. Não ficou em casa a pensar que gostava muito de ajudar os outros nem foi fazer o que lhe agradava ou dava jeito: foi fazer aquilo que o Espírito lhe inspirou e o que aquelas pessoas precisavam.

Os dons da graça que o Espírito nos dá – aquilo que habitualmente chamamos ‘carismas’ – têm, em primeiro lugar, uma finalidade missionária: são para exercer em favor dos outros. Quando assim não é, não são dons do Espírito de Deus, mas ideias da minha imaginação. O Espírito Santo concede os seus dons a cada pessoa para a edificação da Igreja, não é para proveito próprio. Por isso, faz parte de uma espiritualidade missionária reconhecermos e valorizarmos os carismas uns dos outros e entendê-los e vivê-los como complementares uns dos outros, completando-se uns aos outros. Foi isso que Paulo fez sempre, como também nos deixa perceber nesta sua despedida dos anciãos de Mileto, a quem confia, a partir de agora, o cuidado pelo rebanho.

E assim, cada um, inspirado e iluminado pelo Espírito Santo descobre a sua primeira vocação: como cristãos chamados e enviados por Cristo, participamos no seu serviço: a nossa vocação primeira é servir Cristo, servir como Cristo, servir em Cristo. Todos os baptizados somos enviados ao mundo para «iluminar, abençoar, vivificar, levantar, sarar, libertar», como mensageiros de Cristo. Cristo, regressado à direita do Pai, depois da Ascensão, precisa de comunicadores, de porta-vozes, de testemunhas, para que a sua mensagem chegue às pessoas, através do testemunho vital – o testemunho da vida – dos crentes e do serviço salvífico da Igreja.

A Missão da Igreja mantém-se de pé ou desmorona com as pessoas, connosco. Por isso, a questão decisiva é esta: onde é que há, na Igreja, pessoas que ardam de paixão interior por Cristo e pela sua Igreja e ofereçam a sua coragem crente para assumir os desafios da Missão? É importante que isto fique claro em nós: a Missão só pode resultar com pessoas movidas interiormente e convencidas da mensagem de Cristo.

Participando activamente nos actos da vida da Igreja – a celebração litúrgica, a diaconia integral e o anúncio feliz e convincente da mensagem de salvação por palavras e obras – damos continuidade e fazemos avançar o serviço salvífico de Cristo aos homens e mulheres. Conseguiremos chegar ao nosso próprio papel, ao nosso lugar, à missão que nos corresponde se reflectimos ou meditamos sobre o acontecimento de Cristo – como esta Novena nos ajuda a fazer – e se vivemos uma relação viva e vital com Cristo. Então nos tornaremos pessoas que crêem, adoram, esperam e amam cada vez mais.

Cada fiel há-de viver o seu ser cristão próprio – não individualmente, mas pessoalmente –; ninguém pode vivê-lo por ele. Cada fiel tem de cuidar da sua própria salvação – ver como acolhe a salvação que lhe é oferecida e como vive a partir dela – e saber-se responsável do que faz ou deixa de fazer. Uma coisa é verdade: os cristãos que vivem a sua fé com convicção e alegria dão à Igreja uma força missionária capaz de atrair, de ser atraente. De facto, a evangelização não consiste em persuadir outros, mas em viver de tal maneira como cristãos que as outras pessoas percebam o sentido e a beleza da nossa vida, e se perguntem elas próprias quem é Jesus Cristo, que significa a Igreja, como é que fé cristã pode dar um sentido pleno à vida. Ou seja, verdadeiramente, nós não temos uma mensagem para anunciar, nós somos a mensagem. O problema é que nós, a maior parte das vezes, pensamos erradamente: temos muitas coisas para anunciar, mas somos pouco, para não dizer quase nada, aquilo que anunciamos.

A evangelização, a Missão só terá resultados onde e quando os cristãos vivermos a nossa fé com alegria e convicção interior.

Uma espiritualidade devia levar-nos a encontrar resposta para estas perguntas: Como dar testemunho da beleza do Evangelho com a nossa vida? Como é que a nossa existência e a nossa maneira de ser como cristãos podem fazer nascer noutros o desejo de Deus? Como poderemos contribuir para construir e configurar o futuro missionário da Igreja, confiando plenamente em Deus e semeando a esperança?

Bom Jesus de Matosinhos, reza de novo e sempre ao Pai por nós, para que sejamos consagrados na verdade do teu Evangelho, vivamos no mundo sabendo que a nossa pátria está nos céus, e dá-nos a luz e a força do teu Espírito. Ámen. Aleluia.

Segundo passo para uma espiritualidade missionária: Assemelhar-se a Cristo

4º DIA – 4 JUNHO

Como prometido, e porque estamos no Ano Missionário, quero aproveitar esta Novena do Senhor de Matosinhos, que nos convida centrar a atenção e o coração, no mistério da Cruz, para tomarmos uma consciência mais profunda da Missão que Jesus nos deixou, depois de partir para o Pai e de nos dar o Espírito Santo. Vou propor, ao longo destes dias, como já disse, alguns elementos essenciais e imprescindíveis de uma espiritualidade missionária, que é aquela que é própria do seguidor de Jesus Cristo e está bem aprofundada na Exortação ‘A Alegria do Evangelho’, do papa Francisco. Ontem falei da necessidade de cuidar a relação pessoal com Deus, sublinhando que se trata de experimentar e viver aquela intimidade e confiança que Jesus vivia com o Pai, e na qual nos introduziu também a nós, nomeadamente ao ensinar-nos o Pai-nosso. E insisti como todos devemos aproveitar a Novena para empreender uma peregrinação interior – é isso que deve preocupar-nos e não quantas vezes vimos à Novena e se é par ou ímpar, isso são preocupações pagãs – que nos leve a descobrir, de novo, de maneira renovada, a essência do ser cristão. É sempre Cristo que está no centro da nossa fé, porque nos revelou quem é Deus, o Pai; porque é Ele o único Salvador; porque nos enviou o seu Espírito que nos ilumina para conhecermos o seu Evangelho e nos fortalece para o pormos em prática e anunciarmos.

Nós somos muito mais do que homens e mulheres religiosos que cumprem uma religião, somos discípulo de Cristo: o seu Deus é o nosso Deus; Ele é para nós o rosto do único Deus verdadeiro. Foi isso, por exemplo que Paulo não se cansou de tentar mostrar quer aos judeus, que acreditavam no Deus de Israel, quer aos gentios, que tinham vários deuses ou não acreditavam em nenhum. Ainda há pouco ouvíamos isso na leitura dos Actos: “Exortei judeus e gregos a converterem-se a Deus e a acreditarem em Jesus, nosso Senhor… Sei que me aguardam cadeias e tribulações. Mas por título nenhum eu dou valor à vida, contanto que leve a bom termo a minha carreira e a missão que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho do Evangelho e da graça de Deus.”

E, no evangelho, era o próprio Cristo que o dizia:

“É esta a vida eterna: que Te conheçam a Ti, único Deus verdadeiro, e Aquele que enviaste, Jesus Cristo.”

Por isso, a segunda dimensão importante para uma espiritualidade missionária – para sermos cristãos animados pelo Espírito que recebemos, no Baptismo, no Crisma, na Eucaristia e nos outros sacramentos – é precisamente assemelhar-se a Cristo. Não seremos iguais a Cristo, claro, mas temos de tentar assemelhar-nos a Ele, temos de tentar fazer o que Ele nos manda, confiar na sua palavra. Temos de manter sempre o nosso olhar posto em Cristo, como nós fazemos agora, mais intensamente, na Novena, para nos tornarmos cada vez mais cristãos e percorrer, uma e outra vez, sempre de novo, o caminho da conversão. A vocação dos cristãos é estar sempre em caminho, sempre dispostos a retomar o caminho, apesar das nossas quedas e pecados, sempre a esforçar-nos por nos assemelharmos a Cristo. E só de olhos postos n’Ele, pregado na Cruz e oferecido na Eucaristia, e só de ouvidos bem abertos para O escutar é que isso acontecerá.

Ao contrário do que ouvimos tantas vezes: sou católico não praticante, mas acredito muito em Deus, fui baptizado, fiz as comunhões, casei na igreja… Temos de perceber e conceber o crescimento na vida espiritual como um processo, no qual não nos é permitido ficar parados, mesmo que, às vezes, tenhamos de seguir por caminhos inusitados e nada habituais. Por exemplo, o daquele paralítico que foi levado até Jesus pelo telhado. Se aqueles homens tivessem ficado parados à espera que Jesus chegasse cá fora ou a multidão os deixasse passar, certamente nunca chegariam até Jesus. Também nós temos de encontrar a abertura do telhado que nos permita chegar até Jesus. Seja por onde for, dê por onde der, só chegamos até Jesus metendo-nos a caminho, também esse que cada Domingo nos traz até à Eucaristia. Se ficarmos em casa, à espera de uma qualquer visão ou revelação, nunca chegaremos até Ele.

Também o papa Francisco não se cansa de repetir que a pastoral tem de ser uma pastoral de processos, que o que é fundamental é iniciar um processo, isto é, um caminho. Por isso se diz, por exemplo que a Catequese tem de ser Catecumenal: já não se trata de vir aprender a doutrina, de saber de cor as orações: é preciso pôr-se a caminho com Cristo, atrás de Cristo; é preciso entrar na vida da comunidade, na Igreja, e viver e celebrar com os outros a fé. E, ainda há pouco tempo, a propósito da preparação para o Matrimónio, o papa repetia a mesma ideia: não se trata de fazer um curso, para ouvir umas coisas e ‘passar no exame’, mas de fazer um percurso que leve ao compromisso permanente e fiel com Cristo Salvador.

Se repararmos bem, até Jesus se meteu a caminho para chegar até nós, quando encarnou no seio de Maria. Deus não se limitou a ficar lá em cima, nos céus, à espera, enviou o seu Filho, veio no seu Filho, para nos mostrar quanto nos amava, quanto estava disposto a fazer por nós. É esse o mistério da Encarnação, o mistério que celebramos no Advento e Natal.

Mas agora, estamos aqui, já na última semana deste longo tempo pascal, a celebrar a Novena do Bom Jesus de Matosinhos, dispostos a sentar-nos diante da Cruz, diante de Jesus pregado na Cruz, para aprendermos daí o que significa ser discípulos missionários. Não percamos esta oportunidade que o Bom Jesus nos oferece.

Qualquer que seja a nossa actividade, a nossa condição, a nossa vocação, o serviço que prestamos, o fundamento da nossa acção evangelizadora será sempre a vinculação pessoal e íntima com Jesus Cristo, que temos de suplicar, cuidar e aprofundar cada dia e todos os dias. Está aqui o núcleo do ser cristão, do ser de Cristo; e está aqui a força permanente que pode motivar-nos, animar-nos em todos o serviço pastoral, para lá dos nossos afazeres, dos nossos desânimos, dos nossos sentimentos, e até das nossas forças. Para compreender bem do que se trata, quando se fala de vinculação, pensemos no vínculo que liga uma mãe e um filho. Não há nada que o destrua.

Nesse percurso, seremos sempre guiados e levados pela própria força de Cristo que está em nós: o Espírito Santo que o Pai nos concedeu e derramou sobre nós. Voltemos a Paulo, na primeira leitura de hoje: “Agora vou para Jerusalém, prisioneiro do Espírito… Só sei que o Espírito me avisa, de cidade em cidade…”

Só se estivermos realmente enamorados de Cristo, como quem não tem olhos nem coração para mais ninguém, é que teremos força e dinamismo e motivação para O levarmos a todos, para sermos discípulos missionários da alegria do Evangelho. Só então poderemos ajudar os homens e mulheres, nossos irmãos, e abri-los ao amor misericordioso do Pai, manifestado em Jesus Cristo. Só assim poderemos abrir o mundo à misericórdia. É essa a nossa missão. Assemelhar-se a Cristo, como disseram alguns dos nossos melhores, é estar disposto, como Cristo, a gastar-se, a dar a vida pelos nossos irmãos e irmãs, para anunciar o Evangelho até aos confins da terra, seja de que maneira for.

Bom Jesus de Matosinhos, reza de novo e sempre ao Pai por nós, para que sejamos fortalecidos pela tua Palavra e pelo teu Espírito. Ámen. Aleluia.

Primeiro passo para uma espiritualidade missionária: Cuidar a relação pessoal com Deus

3º DIA – 3 JUNHO

Como já disse no Sábado passado, primeiro dia da Novena, a Igreja não vive para si mesma: está intimamente unida à família humana universal e tem uma Missão para com o Mundo. “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos.” (GS,1). Mas, para podermos levar a cabo e cumprir cada um de nós na nossa vida e na vida da comunidade eclesial esta Missão de anunciar a Boa Nova da salvação a todos, precisamos de uma espiritualidade missionária. Como no tempo de Jesus acontecia com os fariseus, não basta cumprir ritos ou preceitos, apenas exteriormente; é preciso deixar que o Espírito tome conta do nosso coração e nos transforme, é preciso, como Maria, acolher e guardar a Palavra no coração e deixar-se mover por ela.

Se a nossa vida e a vida da comunidade paroquial e as coisas não mudam, então é porque esse acolhimento não está a acontecer, é porque não estamos a deixar o Espírito agir em nós, como agiu em Maria, Paulo, Pedro, Apolo e todos os outros que entregaram a sua vida ao anúncio do Evangelho, indo onde era preciso, fazendo o que era necessário.

“Paulo foi em seguida à sinagoga, onde falou com firmeza durante três meses, argumentando de modo convincente sobre o reino de Deus”, dizia hoje a leitura dos Actos. Muitas vezes não teve sucesso, mas nem por isso deixava fazer o que o Espírito mandava.

De facto, o centro, o importante e decisivo de uma espiritualidade missionária é a capacidade de não ficarmos nos grupos ou lugares que já nos são familiares – na nossa zona de conforto, como se diz hoje – mas sair para as periferias, para os lugares e situações onde os homens e mulheres vivem e lutam com as suas dúvidas e sofrimentos, angústias e tristezas, pobrezas e desânimos.

As características de uma espiritualidade missionária – que devia ser própria de cada e de todo o baptizado que recebeu o Espírito Santo e a Missão – são o entusiasmo por Jesus Cristo e pela sua Igreja, a alegria radiante, a paciência, a bondade e a misericórdia. Quem crê no amor de Cristo e tem consciência desse amor e da singularidade da salvação que Ele nos oferece estará agradecido de todo o coração pela fé recebida. E quem está assim agradecido e é capaz de rezar essa gratidão, sentirá, interiormente, a necessidade de partilhar essa fé e essa alegria com os seus irmãos e irmãs. Como aconteceu com Maria, como acontece com uma mãe ou um pai quando sabem que vão ter um filho ou uma filha. É uma alegria que não pode ser calada, tem de ser anunciada. Se não sentimos isso em relação à fé que professamos, temos de perguntar-nos se verdadeiramente fazemos experiência do amor de Cristo por nós. Se pensarmos bem, a transmissão da fé, por exemplo quando pedimos o Baptismo para um filho ou escolhemos casar em Cristo, na Igreja; o anúncio da fé, por exemplo quando somos catequistas ou participamos na preparação dos noivos para o Matrimónio, é o acto supremo do amor ao próximo: amamos tanto os nossos irmãos e irmãs que só queremos que eles experimentem e vivam como nós o amor que Deus nos tem por Jesus Cristo.

Por isso, podemos dizer que a finalidade de uma espiritualidade missionária – essa espiritualidade que me faz sair de mim e do meu ‘quentinho’ para ir ao encontro dos outros – não é mais do que viver – pôr em prática – o mandamento de amar a Deus e ao próximo. Escreve o papa Francisco na Exortação ‘A Alegria do Evangelho’:

“Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. É preciso considerarmo-nos como que marcados a fogo por esta missão de iluminar, abençoar, vivificar, levantar, curar, libertar” (273). Nesta Exortação, que devíamos ler e reler muitas vezes, todos nós, o papa Francisco apresentou o programa para uma Igreja em saída missionária. Mas, ao mesmo tempo, a Exortação é também um texto fundamental e decisivo para uma renovação espiritual dos cristãos e da Igreja, e um convite a tomarmos consciência e fazermos a necessária formação para sermos cristãos, discípulos missionários no nosso tempo. A sua Exortação serve de guia para actuarmos cristãmente neste nosso mundo plural e secular – habitado por pessoas muito diferentes, na cultura e na religião, e que, cada vez mais se afasta de Deus – ao mesmo tempo que nos indica novas perspectivas para contemplarmos e cumprirmos a Missão da Igreja. A grande visão deste documento do papa Francisco consiste em desafiar toda a Igreja e todos os cristãos a colocarem-se num estado de missão permanente: o que só acontecerá se juntos confiarmos no Senhor da messe e estivermos dispostos a deixar-nos renovar por uma espiritualidade missionária, num espírito de entrega generosa e fiel.

Para o papa Francisco, o fundamental para a renovação e saída da Igreja não são as reformas das estruturas, com as quais nos desculpamos tantas vezes, mas a renovação espiritual mediante a conversão dos corações no encontro com Cristo. É esse também o objectivo desta Novena: pôr-nos diante do Senhor de Matosinhos, do seu coração e dos seus braços abertos na cruz por nosso amor, e deixarmos que o Espírito Santo que Ele fez descer sobre nós, ao expirar, renove os nossos corações. Neste Ano Missionário, como já disse, gostava de propor e meditar, ao longo dos dias da Novena, alguns elementos essenciais de uma espiritualidade missionária, sugeridos pela leitura da Exortação ‘A Alegria do Evangelho’. Hoje vou falar da necessidade de cuidar a relação pessoal com Deus. Não é tão evidente como muitos pensam e como parece a um olhar superficial. Trata-se de experimentar e viver aquela intimidade e confiança que Jesus manifestava ainda há pouco no evangelho: ‘mas Eu não estou só, porque o Pai está comigo’, mas que nós conhecemos de muitas outras situações.

De facto, uma das condições fundamentais de uma espiritualidade missionária é a relação pessoal de cada um com Deus. Todos devemos empreender uma peregrinação interior para descobrir, de novo e de maneira renovada, a essência do ser cristão: a relação pessoal com Jesus Cristo, que transforma a vida; o chamamento a segui-l’O, e viver segundo Jesus Cristo. Basta pensar em Paulo de quem ouvimos falar tanto ao longo do Tempo Pascal, e que foi capaz desta afirmação: ‘Para mim, viver é Cristo’.

Mas, ao falarmos da relação pessoal com Deus, temos de partir do próprio Jesus Cristo: o modelo para a nossa vida é a vinculação de Jesus com o seu Pai. a única vontade de Jesus era fazer a vontade do Pai, como nos deixou bem claro no Pai-nosso que nos ensinou. Por isso, também nós temos de dar mais espaço a Deus na nossa vida e deixar que Ele seja mesmo o Senhor da nossa vida, como foi para Cristo: Pai, não se faça a minha vontade, mas a tua, por mais que custe, mesmo que leve à morte, serei fiel até ao fim.

Por alguma razão, o papa Francisco fala muitas vezes do perigo que a Igreja corre de se tornar auto-referencial. De facto, se a Igreja, em vez de ser uma comunhão – uma comunidade – de pessoas vinculadas a Deus, por Jesus Cristo e como Jesus Cristo, que procuram ser fiéis à sua vontade, é uma acumulação de pessoas egocêntricas, mais interessadas em satisfazer os seus caprichos e ambições, e que se tornam elas próprias medida de si mesmas, nunca será capaz de cumprir a Missão que lhe está confiada.

A relação pessoal com Deus, a minha disponibilidade para escutar Deus e sair ao seu encontro para fazer a sua vontade, o meu desejo de ter um coração transformado pela graça de Deus constitui o centro permanente do ser cristão, e é daí que vem tudo o resto. Se eu viver verdadeiramente uma relação pessoal e profunda com Deus, serei capaz de ser pedra viva da Igreja, trabalhar para construir uma Igreja sempre mais dinâmica e missionária, e serei também capaz de me comprometer no amor aos irmãos: primeiro amar a Deus – a tal relação pessoal com Ele – para depois amar os irmãos. Quem ama de coração – pessoalmente – a Deus sente a necessidade interior de ultrapassar o seu próprio egoísmo e pôr-se ao serviço da salvação integral dos homens e mulheres.

Por mais estranho que nos possa parecer – e há sempre quem pense que a acção vai à frente da oração – o impulso para uma etapa nova de evangelização decide-se única e exclusivamente pela questão de Deus: quero que Deus me sirva, quero que Deus esteja ao meu serviço, ou estou disposto eu a estar ao serviço de Deus, a entregar-me ao serviço de Deus?

Se eu tiver esta atitude, se cada um de nós, se todos os baptizados tivermos esta atitude, a Igreja será missionária. É esse o testemunho de Paulo: completamente apanhado por Cristo. vai aonde é preciso, ensina, funda comunidades, esclarece. Nunca está acomodado.

Seremos nós capazes de dar este rosto à Igreja? Seremos nós capazes de fazer – ser – uma comunidade, uma paróquia, que torne visível a Igreja como lugar da presença e da acção de Deus?

Tudo vai depender da relação pessoal de cada um com Deus. Sendo certo que, se todos, crescermos nessa relação pessoal, formaremos uma verdadeira comunhão, uma verdadeira comunidade e, todos unidos, seremos discípulos missionários.

Ao contemplarmos, nesta Novena, o Senhor de Matosinhos crucificado por nosso amor e por fidelidade à vontade do Pai, tentemos aprender e viver com Ele a nossa relação com o seu Pai e nosso Pai.

Volto a dizer, para terminar: a questão é sempre a mesma: quero que Deus esteja ao meu serviço, sirvo-me de Deus, ou estou disposto a servir a Deus?

‘Pai, se é possível, afasta de Mim este cálice. No entanto, não se faça a minha vontade, mas a tua’.

Bom Jesus de Matosinhos, dá-me um coração igual ao teu. Ámen.

(nota: estas reflexões são feitas a partir do livro: Yo Soy una Misión – Pasos de la evangelización, de George Augustin, Sal Terrae)

1º DIA – 1 JUNHO

Em 30 de Novembro de 1919, o papa de então, Bento XV, diante de um certo cansaço da Igreja no seu fervor missionário, mas também diante da necessidade de recordar a toda a Igreja que a Missão não é exclusiva dos bispos e padres mas de todos os cristãos, publicou uma Carta que marca uma nova etapa no dinamismo missionário e que produziu frutos maravilhosos, como escreve o nosso bispo D. Manuel.

Por essa razão, o papa Francisco, para assinalar os cem anos da publicação dessa carta, declarou o mês de Outubro de 2019 como ‘Mês Missionário Extraordinário’. Por sua vez, os bispos portugueses, e porque o mês de Outubro já costuma ter um grande relevo missionário, em Portugal, acharam por bem propor um ano inteiro dedicado à Missão, para que toda a Igreja, isto é, todos os cristãos tomem consciência de que a Igreja é missionária por natureza – se não for missionária, a Igreja não serve para nada, como o sal que perdeu o sabor e já não presta, só para deitar fora – aprofundem o seu ser discípulos missionários e renovem o seu compromisso missionário.

Aqui, na nossa paróquia de Matosinhos, já fizemos, por causa disso, uma série de encontros sobre a Missão, na Escola da Fé.

E agora somos convidados a viver esta Novena e preparar a Festa do Senhor de Matosinhos, dentro do Ano Missionário. Por isso, aproveitarei para propor, cada dia, alguns passos fundamentais para uma espiritualidade missionária; algumas dimensões essenciais do ser discípulo missionário, como não se cansa de repetir e pedir o papa Francisco.

Para toda a Igreja viver o Mês Missionário Extraordinário e para vivermos, em Portugal, o Ano Missionário, quer o papa quer os nossos bispos escreveram uma carta. Hoje, vou começar por sublinhar algumas das palavras dessas cartas, para nos ajudar a situar a dimensão e compromisso missionário que cabe a todo aquele que acredita que Jesus Cristo é o Salvador, a todo aquele e aquela que gosta do Senhor de Matosinhos e espera receber as suas graças. É bom não esquecermos que só receberemos as graças do Bom Jesus se Lhe formos fiéis, se formos fiéis à Missão que Ele nos deixou.

Comecemos pelo nosso querido papa Francisco que nos pede para sermos uma Igreja em saída. Depois de apontar as razões pelas quais propõe que toda a Igreja viva o mês de Outubro como Mês Missionário Extraordinário, já na parte final da sua carta, escreve:

“Com estes sentimentos, acolhendo a proposta da Congregação para a Evangelização dos Povos, proclamo outubro de 2019 como Mês Missionário Extraordinário, com o objetivo de despertar em maior medida a consciência da missio ad gentes e retomar com novo impulso a transformação missionária da vida e da pastoral. Poder-nos-emos preparar convenientemente para ele já através do mês missionário de outubro do próximo ano (referia-se ao passado mês de Outubro de 2018), de modo que todos os fiéis tenham verdadeiramente a peito o anúncio do Evangelho e a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras; e aumente o amor pela missão, que «é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo».”

E termina assim:

“Que o Mês Missionário Extraordinário se torne uma ocasião de graça intensa e fecunda para promover iniciativas e intensificar de modo particular a oração – alma de toda a missão –, o anúncio do Evangelho, a reflexão bíblica e teológica sobre a missão, as obras de caridade cristã e as ações concretas de colaboração e solidariedade entre as Igrejas, de modo que se desperte e jamais nos seja roubado o entusiasmo missionário.”

Por sua vez, os nossos bispos escrevem:

“Em união com o Santo Padre, queremos celebrar esse centenário apelando a um maior vigor missionário em todas as dioceses, paróquias, comunidades e grupos eclesiais, desde os adultos aos jovens e crianças.”

E definem os seguintes objectivos para o Ano Missionário:

“Desde o início do seu pontificado, o Papa Francisco tem convidado todo o cristão, em qualquer lugar e situação, a renovar o seu encontro pessoal com Jesus Cristo, a tomar a decisão de se deixar encontrar por Ele e a procurá-l’O dia-a-dia, sem cessar.

É necessário passar de uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária.

Com o “sonho missionário de chegar a todos”, o Santo Padre tem incentivado a ir às periferias, a ir até junto dos pobres, convidando os jovens a “fazer ruído”, a não “ficarem no sofá” a verem a vida a passar. Convida a Igreja a não ficar entre si sem correr riscos, mas ter a coragem de ser uma Igreja viva, acolhedora, dos excluídos e dos estrangeiros.

 No centro desta iniciativa, que envolve a Igreja universal, estão a oração, o testemunho e a reflexão sobre a centralidade da missão como estado permanente do envio para a primeira evangelização (Mt 28,19). Trata-se de colocar a missão de Jesus no coração da própria Igreja, transformando-a em critério para medir a eficácia das estruturas, os resultados do trabalho, a fecundidade dos seus ministros e a alegria que são capazes de suscitar, porque sem alegria não se atrai ninguém.”

E citando o papa São João Paulo II, sublinham:

“Uma visão de conjunto da humanidade mostra que tal missão está ainda no começo, e devemos empenhar-nos com todas as forças no seu serviço… A missão renova a Igreja, revigora a sua fé e identidade, dá-lhe novo entusiasmo e novas motivações. É dando a fé que ela se fortalece! A nova evangelização dos povos cristãos há-de encontrar também inspiração e apoio no empenho pela missão universal”. Só assim nos constituímos em “estado permanente de missão em todas as regiões da Terra”.

Se Bento XV convidava “cada um a pensar que deve ser como que a alma da sua missão”, o Papa Francisco diz que é tarefa diária de cada um “levar o Evangelho às pessoas com quem se encontra, porque o anúncio do Evangelho, Jesus Cristo, é o anúncio essencial, o mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, o mais necessário” (EG 127).

Como discípulos missionários, devemos entrar decididamente com todas as forças nos processos constantes de renovação missionária, pois, hoje, cada terra e cada dimensão humana são terra de missão à espera do anúncio do Evangelho.”

Como ouvimos hoje e fomos ouvindo ao longo do Tempo Pascal, nas passagens do livro dos Actos dos Apóstolos, foi assim, desde o princípio: “Depois de ter passado algum tempo em Antioquia, Paulo partiu de novo e percorreu sucessivamente a Galácia e a Frígia, fortalecendo todos os discípulos na fé.” Ou seja, a Igreja existe para a Missão. Como diz um autor: não é a Igreja que tem uma Missão é a Missão que tem uma Igreja. Quer dizer, a Missão está antes da Igreja, a Igreja só tem sentido se for missionária.

Vivemos tempos muito exigentes, mas continuamos demasiado acomodados e parados; somos chamados a sair, mas continuamos fechados no que se fazia dantes incapazes de mudar o que é preciso, sem coragem nem ousadia para arriscar novos caminhos.

Nós temos uma Boa Nova para proclamar: Deus ama todos e quer fazer-nos participar da alegria completa que só Ele nos oferece, e do seu amor salvador. É essa a nossa Missão.

Não repitamos a Novena e Festa do Senhor de Matosinhos apenas como uma tradição que temos de cumprir, celebremo-la e vivamo-la como uma Missão que nos é confiada, como uma nova oportunidade para nos encontrarmos com Cristo, renovar o nosso encontro pessoal com Ele, e tomar a decisão de Lhe abrirmos o coração e nos deixarmos encontrar por Ele, para O procurarmos e seguirmos dia-a-dia, sem cessar.

Bom Jesus de Matosinhos, faz de nós discípulos missionários da alegria do teu Evangelho. Ámen.