Sobre a Palavra

Comentários à Palavra de Domingo pelo Pe. Emanuel Brandão

 

09/02/2020

«Para que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos Céus». O amor aos outros é uma janela de acesso ao divino. Quando nos deixamos interpelar pelo rosto ferido e desfigurado dos pobres e humilhados o Transcendente aparece-nos e nos interpela. Por isso, tal como o sal e a luz não devemos viver voltados sobre nós mesmos, mas, de maneira discreta, estar ao serviço dos irmãos. E servir e amar os outros, para além de ser um dom para os irmãos, faz-nos encontrar a nossa verdadeira identidade de filhos amados de Deus. O amor e o serviço aos outros são fonte de alegria e felicidade. Eis o desafio para esta semana: ser luz e sal para os outros.


02/02/2020

«Os meus olhos viram a vossa salvação». Reconhecem o velho Simeão e a profetisa Ana em Cristo a salvação de toda a humanidade e a luz das nações. Cristo é de facto o salvador e o redentor de toda a humanidade. Ele é a luz que nos aponta o caminho da vida e da felicidade. Só a comunhão com Cristo sacia totalmente o nosso coração. Nada lhe falta a quem tem Deus no coração. Compete-nos por isso deixar-nos conduzir pela luz de Deus. E, tal como Maria e José apresentaram Jesus no templo, é nossa missão apresentar Jesus aos irmãos.  Eis o desafio para esta semana: levar Jesus aos outros.


26/01/2020

«Caminhando ao longo do mar da Galileia, viu dois irmãos». O mesmo Jesus, que andou ao longo do mar da Galileia a chamar os discípulos, continua hoje, através do Seu Espírito, a andar pelos nossos caminhos à procura de cada um de nós para nos oferecer o seu amor e convocar-nos para a missão. Deus quer estar connosco e quer contar connosco para que o seu amor chegue a todos. Somos todos discípulos missionários. Porque somos amados por Deus, somos todos chamados a amar a todos. Somos missionários porque somos discípulos amados. Eis o desafio para esta semana: dizer sim ao chamamento de Jesus.


19/01/2020

«Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo». Ninguém tirou a vida a Jesus, foi Ele que a ofereceu livremente pela salvação de todos. Jesus Cristo é, por isso, é o nosso cordeiro pascal, que na Páscoa derramou o Seu sangue por nós. Com esta dádiva Cristo restabelece a comunhão da humanidade com Deus e dos homens entre si. Ele é a nossa paz. Somos todos chamados a colaborar com Cristo na salvação da humanidade, dando a vida pelos irmãos, ou seja, amando os irmãos de todo o coração. Na verdade, prova de amor maior não há do que dar a vida pelos irmãos. Fazer da nossa vida um ato de oblação a Deus e aos irmãos é a nossa missão. Eis o desafio para esta semana: dar vida pelos outros.


12/01/2020

«Este é o meu Filho muito amado». No dia do batismo do Senhor, Deus Pai apresenta Jesus como o Seu Filho amado. Jesus é de facto o amado do Pai, a presença de Deus no meio de nós. No dia do nosso batismo Deus Pai também disse a cada um de nós: tu és meu filho amado. De facto, no dia do nosso batismo tornamo-nos participantes da filiação divina. O mesmo amor que circula entre o Pai e o Filho desceu sobre nós e fez do nosso coração a Sua morada. Aquilo que Jesus é por natureza, nós tornamo-nos participantes por dádiva divina. Deus ama-nos. Estamos envolvidos pelo amor de Deus. Somos filhos amados de Deus é a grande mensagem da festa do batismo. Eis o desafio para esta semana: viver como filhos amados de Deus.


05/01/2020

«Nós vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo». Guiados por uma estrela, os magos do Oriente partiram em busca do menino Deus. E quando encontraram o menino voltaram por outro caminho, ou seja, começaram a viver de maneira nova. Como o nosso Deus é um Pai comum que se quer revelar a todos, todos os seres humanos, tal como os magos, têm que partir em busca do divino. Todo o coração humano tem sede de Deus, pois só o Pai Celeste conhece e preenche totalmente o nosso coração. Só Deus nos coloca no caminho da vida e da salvação. Quem se encontra com o divino torna-se um ser novo, quer dizer, entra na dinâmica do amor e do serviço. Eis o desafio para esta semana: partir em busca de Deus.


29/12/2019

«Toma o Menino e sua Mãe e foge para o Egipto». Esteve a família de Nazaré unida tanto nos momentos bons como nos momentos maus. A missão de acolher o Salvador exigiu muitos sacrifícios à família de Nazaré. Mas como sabiam que tinham uma missão muito importante a cumprir enfrentaram as dificuldades com determinação. Foi assim na simplicidade de uma família humana que sucedeu o mistério da encarnação do Verbo de Deus. O amor que se vive no seio do ambiente familiar é sacramento do amor de Deus. Ser testemunhas do amor e da misericórdia divinas é a missão de todas as nossas famílias. Eis o desafio para esta semana: recriar nas nossas famílias o ambiente da família de Nazaré.


22/12/2019

«Será chamado ‘Emanuel’, que quer dizer ‘Deus connosco’». Com o nascimento de Jesus, Deus revela-se como um Deus próximo e amigo de cada um de nós. Deus é nosso companheiro de viagem. Faz da nossa história a Sua história. Ele é o “Emanuel”, o Deus connosco. Através do Seu Espírito, o Filho de Deus encarnado partilha a sorte de todos os seres humanos. Com a Sua encarnação, Deus de certa forma uniu-se a todos os seus filhos. Consciente desta presença de Deus, José colocou os interesses de Deus à frente dos seus. Colocou toda a sua vida ao serviço da salvação da humanidade. É assim um exemplo de fé e de confiança na providência divina. Eis o desafio para esta semana: como José dizer sim aos planos de Deus.


15/12/2019

«Mas o menor no reino dos Céus é maior do que ele». Apesar de João Baptista ser o maior entre os filhos de mulher, torna-se pequeno perante o novo reino inaugurado por Jesus. Jesus é de facto o Ungido do Pai, Cristo, a nova presença de Deus no meio de nós. Ele não é mais um dos profetas, mas o próprio Deus que nos visitou e habitou entre nós. Todo o Antigo Testamento desemboca por isso nesta revelação definitiva de Deus. E é esta nova presença de Deus no mundo que enche o coração dos crentes de alegria. Quem tem Deus no coração, quem se sabe amado por Deus de maneira incondicional tem sempre razões para a esperança e para a alegria. Eis o desafio para esta semana: alegrar-se sempre no Senhor.


08/12/2019

«Avé, cheia de graça (…) faça-se em mim segundo a tua palavra». Como escolhida para ser a mãe do Redentor, desde o início, Maria esteve sob a proteção de Deus, não estando nunca sob o selo do pecado das origens. Desde a sua conceção a graça de Deus inebriou totalmente o coração da nossa Mãe do Céu. Ela é a cheia de graça, a abençoada e protegida. E quando foi interpelada pelo anjo, Maria disse sim à dádiva do alto e ao projeto divino. Maria é assim modelo de todos os crentes, e ensina-nos a viver sob a mão protetora do divino e a colocar n’Ele toda a nossa esperança. Tal como Maria, se nos deixarmos inebriar pela graça de Deus, somos capazes de vencer o mal na sua raiz. Eis o desafio para esta semana: dizer sim à graça divina.


01/12/2019

«E não deram por nada, até que veio o dilúvio». O Senhor veio, vem e virá ao nosso encontro. Ele quer estabelecer um diálogo íntimo e profundo com cada um de nós. Deus bate constantemente à nossa porta. É por isso necessário estar atento e vigilante para acolher a Sua manifestação. Se estivermos apenas ocupados com as coisas deste mundo não damos pela passagem do mundo divino, perdemos a graça do encontro com o Senhor da vida e da alegria. Fazer de cada momento da nossa existência humana um instante de salvação e de graça é a nossa missão. Estar vigilante, de que nos fala o Evangelho, é por isso dizer não à indiferença, à anestesia e à sonolência e abrir o coração à graça e ao amor de Deus. Eis o desafio desta semana: estar atentos às manifestações divinas.


24/11/2019

«Hoje estarás comigo no paraíso». Porque se deixou interpelar pelo rosto sofredor de Jesus, um dos malfeitores chegou à fé e alcançou o paraíso. É por isso a conversão do malfeitor um dos primeiros frutos da paixão do Senhor Jesus. Não se reduz a crucificação de Jesus a um ato de mera violência cruel, mas é um ato de supremo amor, que se entrega totalmente pela salvação de todos. Assume-se, deste modo, a cruz do Senhor Jesus como a revelação suprema da Sua divindade e do seu Senhorio ou reinado. Uma entrega tão total pela salvação do mundo só pode ser divina. Daí que toda a nossa glória esteja na cruz de Nosso Senhor Jesus, ou seja, no amor de Deus derramado sobre todo nós. Eis o desafio desta semana: deixar-se interpelar pelo rosto sofredor do Crucificado.


17/11/2019

«Dias virão em que, de tudo o que estais a ver, não ficará pedra sobre pedra: tudo será destruído». Tudo o leva o tempo. Nada do que é obra humana permanece. Tudo neste mundo é transitório, passageiro, efémero. Precisamos assim de Alguém mais que humano que vença connosco o tempo irreversível que tudo devora. A fugacidade do presente só é possível suportar com o absoluto da transcendência ou que a finitude exige o absoluto. Esse absoluto que vence o tempo é Jesus Cristo que é sempre o mesmo hoje e ontem e por toda a eternidade (Hebr 13, 18). Unidos a Jesus transformamos o tempo irreversível num momento de graça e de acolhimento do dom do alto. Eis o desafio: buscar um Deus que vença connosco a fugacidade do tempo.


10/11/2019

«Não é um Deus de mortos, mas de vivos, porque para Ele todos estão vivos». É a comunhão definitiva e plena com o nosso Deus o destino final do ser humano, filho predileto de Deus. Formos criados para vivermos já neste mundo em comunhão com Deus e chamados a uma comunhão plena no céu. Por isso, não caminhamos na morte para o abismo ou para o vazio, mas para os braços de Deus Pai. Abre assim a certeza da ressurreição horizontes de esperança na nossa vida, pois nem a morte nos separará do amor de Jesus Cristo. E quem sabe que caminha para um final feliz tem forças para suportar as dificuldades do presente. Eis o desafio para esta semana: viver na esperança da ressurreição.


03/11/2019

«Eu hoje devo ficar em tua casa». Sucede na fé um encontro entre duas liberdades: a humana e a divina. Deus toma a iniciativa de Se comunicar ao homem e o ser humano é chamado a acolher a revelação divina. E quando o coração humano acolhe a graça divina sucede a salvação e a redenção. Mas o encontro com Deus tem consequências na vida concreta. Deixar o amor de Deus atuar em nós implica entrar da dinâmica do amor e da misericórdia para com todos. Um coração novo, renovado pela graça divina, exige um comportamento novo. Eis o desafio para esta semana: deixar Deus morar no nosso coração.


27/10/2019

«Este desceu justificado para sua casa e o outro não». Porque era autossuficiente e orgulhoso o fariseu não saiu do encontro com Deus justificado e perdoado. Como estava fechado em si não deixou que o amor de Deus o purificasse e o libertasse do mal e do pecado. Já o publicano com a sua humildade criou espaço para o perdão e reconciliação com Deus. A salvação e a redenção não é mérito ou conquista nossa, mas dom gratuito de Deus, que podemos apenas pedir e receber. Nada somos e temos que não tenhamos recebido. Eis o desafio para esta semana: despojar-se de si para receber a graça do perdão e da reconciliação.


20/10/2019

«Necessidade de orar sempre sem desanimar». Ser crente é deixar-se conduzir pela mão de Deus. É deixar a vida divina germinar no nosso coração. É poder dizer como o São Paulo «já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim». É permitir que em todas as circunstâncias o Espírito de Deus atue em nós. É por isso necessário viver momentos de intimidade e de comunhão com o divino através da oração incessante e sem desânimos. Ao amor interpelante de Deus respondemos com um amor suplicante. Eis o desafio desta semana: fazer da nossa vida um ato de oração e de louvor a Deus.


13/10/2019

«Ao ver-se curado, voltou atrás, glorificando a Deus em alta voz». De dez leprosos, que foram curados por Jesus, um voltou atrás para agradecer a Jesus. Aquele que se percebe como dado, que não tem em si o fundamento, recebe-se como uma dádiva de Deus. Quem faz a experiência de que tudo na vida é dom de Deus, sente surgir dentro do seu coração a necessidade de recitar, louvar e agradecer. Assume-se deste modo o louvar o Senhor como um gesto de profunda humildade, pois é o reconhecimento de que só a graça e o amor de Deus saciam totalmente o nosso coração. Eis o desafio para esta semana: louvar o Senhor de todo o coração.


6/10/2019

«Somos inúteis servos: fizemos o que devíamos fazer». Sucede no reino de Deus um elogio do inútil, isto é, do gratuito, do incondicional, da superabundância. Ao amor gratuito e incondicional de Deus responde-se com a entrega, com a alegria de servir os irmãos. Ao amor responde-se com amor. Aquele que se sente amado de maneira incondicional por Deus e sabe que tudo é dom e graça divina vive numa atitude permanente de ação de graças e de louvor. Servir a Deus é fonte de alegria e de salvação. Eis o desafio para esta semana: servir com alegria e de maneira gratuita os irmãos.