Programa Religioso das Festas 2020

Pela primeira vez em quase 700 anos, as Festas do Senhor de Matosinhos apresentam um novo formato, devido à pandemia por Covid-19. Habitualmente, recorde-se, cerca de um milhão de pessoas visitava Matosinhos nesta altura do ano.

A pensar nos milhões de devotos ao Bom Jesus de Matosinhos, espalhados por todo o mundo, a Câmara Municipal de Matosinhos, a ANCIMA- Associação para a Animação da Cidade de Matosinhos e a Paróquia de Matosinhos uniram-se para preparar um programa mais curto e adequado às atuais circunstâncias de confinamento social por motivos de saúde pública, assegurando a transmissão de vários momentos quer nas redes sociais quer na televisão.
No domingo, dia 31 de maio, a imagem do Senhor de Matosinhos sairá à rua, pelas 16:00 horas. Acompanhada pela Banda de Música de Matosinhos-Leça, a procissão terá um ritmo mais acelerado do que o habitual para prevenir a concentração de pessoas e percorrerá várias artérias do centro da cidade. Para que não saia de casa, poderá acompanhar a procissão em direto no Porto Canal.

“Apelamos a quem vive nessas ruas que venha à janela, que estenda uma colcha ou uma manta, e que partilhe, através das redes sociais, este momento simbólico com os seus familiares e amigos. Nesta altura, devemos estar unidos e solidários com quem está confinado. Tenho a certeza de que, ao partilharmos todos, o Senhor de Matosinhos chegará ao mundo inteiro”, defende a Presidente da Autarquia, Luísa Salgueiro.

No feriado municipal, dia 2 de junho, destaque para a transmissão em direto no Porto Canal da Eucaristia Solene do Bom Jesus de Matosinhos, a partir das 11:00 horas, presidida por Sua Ex.cia Reverendíssima, D. Manuel Linda, Bispo do Porto.

Mesmo em formato web, as Festas da Cidade continuam a envolver a comunidade. (…) Destaque também para a transmissão de vídeos a 360º de vários locais associados à História e Património do Senhor de Matosinhos, como a Igreja do Bom Jesus, narrados pelo historiador Joel Cleto.

“O Senhor de Matosinhos vai continuar a ser a maior romaria do país. Este ano, terá apenas um formato diferente. Não haverá farturas, pão com chouriço, carrocéis ou barraquinhas, mas a devoção mantém-se. Vamos partilhar nas redes sociais os principais momentos da nossa festa. Vamos recordar o fogo-de-artifício, o fogo dos bonecos- uma tradição pirotécnica única no país, a nossa feira da louça, os altares floridos da Igreja do Bom Jesus. Não esquecemos a nossa ligação à cidade brasileira de Congonhas com quem estamos geminados e com quem partilhamos a devoção ao Senhor de Matosinhos”, afirma o Presidente da ANCIMA e Vice-presidente da Autarquia, Fernando Rocha.

A devoção ao Senhor de Matosinhos

Reza a lenda que a escultura de Cristo da autoria de Nicodemos deu à costa de Matosinhos no domingo de Pentecostes, no dia 3 de maio do ano 124, mais concretamente na praia do Espinheiro onde hoje existe o Monumento do Senhor do Padrão. Terá sido Nicodemos, com a ajuda de José de Arimateia, a retirar Cristo da cruz e a depositar o seu corpo no sepulcro.
Das várias esculturas de Cristo que fez, Nicodemos terá lançado as imagens no mar Mediterrâneo, em virtude da perseguição aos cristãos. Algumas perderam-se, outras foram encontradas em vários destinos. No caso de Matosinhos, a imagem surgiu na praia sem um braço. Depois de muitas e infrutíferas tentativas de se esculpir um braço que encaixasse na perfeição na imagem, 50 anos volvidos, eis que surge o membro que faltava. Corria o ano 174, deambulando pela praia, uma pobre mulher recolhe lenha para a lareira. Em casa, um grande pedaço de madeira teimava em, milagrosamente, saltar do fogo sempre que para ele era lançado. Uma jovem surda‐muda de nascença alerta a mãe para o facto de o pedaço de lenha ser o braço que faltava na imagem de Cristo. E assim começou a devoção ao Senhor de Matosinhos.

(in www.cm-matosinhos.pt)