Plano Diocesano de Pastoral 2021.2022

JUNTOS, SINODAIS E A CAMINHO.

Ao apresentar o novo Plano Pastoral iniciado em 2019/20, escrevia: “A nossa Diocese do Porto colocou as suas energias pastorais, ao longo de quatro anos, numa renovada proclamação da “alegria do Evangelho” aos «de fora» e a quantos não têm consciência da sua inserção em Cristo. […] Agora, sem jamais perder de vista essa dinâmica missionária, pareceu conveniente cuidarmos das próprias raízes da fé e da vida cristã dos «de dentro», pois, como refere o Papa Francisco, «o mandato missionário do Senhor inclui o apelo ao crescimento da fé [e] o primeiro anúncio deve desencadear um caminho de formação e de amadurecimento (EG 160)»”.

Formulou-se, então, um projeto trienal para ajudar os cristãos do Porto a redescobrirem os fundamentos da sua fé no mistério de um Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo e dos correspondentes sacramentos que estão na base da condição cristã: Batismo, Eucaristia e Confirmação. Não para estabelecer mais normas ou regulamentos a respeito de qualquer um deles. Mas para ajudar todos os batizados ou catecúmenos a descobrir “a grandeza da vocação dos fiéis em Cristo e a sua obrigação de dar frutos na caridade para a vida do mundo”, como tão sabiamente refere o Concílio Vaticano II (Optatam totius, 16). Usámos uma alegoria bíblica: vivemos e alimentamo-nos da seiva fértil que é Jesus Cristo, “como os ramos na videira”.

Esse projeto e esse imaginário em nada se alteram. Porém, entretanto, surgiram novas realidades. 

Eis as três que caracterizarão (positivamente) toda a vida pastoral nos tempos próximos: a necessidade de reconfigurar a comunidade eclesial, posta à prova pela pandemia; a urgência de envolver toda a Igreja, em família e com as famílias, na preparação da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2023, evento muito mais abrangente do que a simples faixa etária dos destinatários diretos; a valorização imprescindível da «sinodalidade», atitude ou forma de “ser Igreja” que há de caracterizar este terceiro milénio.

Ao inserir tudo isto no novo Plano, não se corta com o programado, não se rejeita nada do previsto. Apenas se dilata no tempo o que não «cabia» em três anos e se sublinham temáticas com cujo confronto mais se ressaltam os tais crescimento na fé, formação e amadurecimento, a que se referia o Papa. É que a iniciação cristã não consiste na formulação de um conjunto de «boas disposições» para a celebração dos sacramentos, mas no estilo de vida e atitudes que nascem deles. O que reclama um itinerário que valorize o caminho de cada pessoa e a sua pertença à comunidade cristã. Mesmo para os que já receberam esses sacramentos há muito tempo.

É quanto motiva e dá forma a este Plano. Creio-o bem fundamentado, bastante concreto e muito adaptado à graça e aos desafios deste tempo. 

Reclama, porém, agentes pastorais disponíveis para se deixarem conduzir pelo sopro do Espírito, que nos pede olhos bem abertos para a observação da realidade do mundo e da Igreja, ouvidos sensíveis para a escuta dos apelos ou dos silêncios das pessoas, pernas para uma saída missionária em direção aos irmãos crentes ou deserdados da fé, braços 

abertos para o acolhimento sem classificações, enfim, coração jubiloso que sacie de alegria o daqueles que anseiam por um efetivo encontro amoroso com Jesus Cristo.

Foi precisamente isto que fez a Santíssima Virgem Maria, de acordo com o texto evangélico que vai acompanhar este Plano: viu o sonho de Deus, escutou o seu apelo/convite, levantou-se, partiu apressadamente, abriu os braços para saudar Isabel e gerou nela, em João e em Zacarias «saltos» de júbilo a partir das próprias entranhas.

A Ela, Padroeira da nossa Diocese, confio este Plano Pastoral.

Porto, 19 de junho de 2021

+ Manuel, Bispo do Porto