Dinâmica Quaresma-Páscoa

VAMOS COM ALEGRIA. SUBAMOS JUNTOS A JERUSALÉM.

Caminhada Diocesana da Quaresma à Páscoa 2024

Desejamos oferecer e propor a toda a Diocese uma caminhada pastoral, em estreita ligação com a temática anual do nosso Plano Pastoral Diocesano («Vamos com alegria. Juntos por um caminho novo») e em continuidade e sintonia com a proposta anterior da caminhada do Advento ao Batismo do Senhor.

Esta ligação, sintonia e continuidade, são claras, em vários sentidos, quando nos propomos:

  • caminhar com alegria, desenvolvendo, semana a semana, as diversas raízes e matizes desta alegria, em sintonia com o lema do nosso Plano Diocesano de Pastoral 2023-2024;
  • caminhar juntos, prosseguindo um estilo sinodal, na forma de ser e de construir a Igreja;
  • caminhar para uma meta espiritual, simbolizada num lugar santo: Jerusalém;
  • manter o foco da Oração pela Paz na Terra Santa.

Aliás, já o dizíamos na introdução à caminhada do Advento ao Batismo do Senhor:

“Por paralelismo, no tempo que vai da Quaresma à Páscoa, ressoará o convite de Jesus aos discípulos, logo depois do terceiro anúncio da Sua Paixão, Morte e Ressurreição: “Eis que subimos a Jerusalém” (Mt 20,18; Mc 10,33; Lc18,31). Pelo que a temática da proposta e Caminhada Diocesana para os tempos fortes da Quaresma à Páscoa será esta: “Vamos com alegria. Subamos juntos a Jerusalém”.

E recordávamos então que Belém e Jerusalém não são lugares geográficos, da Palestina ou de Israel, mas lugares bíblicos, simbólicos, metas de peregrinação. Estes lugares estão hoje sob o fogo bélico e o foco mediático, no contexto da terrível guerra entre Israel e o Hamas. A evocação destes lugares, nestas caminhadas, é também uma forma de trazer ao nosso coração o desejo e a prece pela Paz na Terra Santa.

Em todo o caso, fica claro que é sempre em direção a Cristo e à sua Páscoa gloriosa, que se dirige a nossa peregrinação. A Páscoa é a nossa meta. Manter-nos-emos fiéis à estrutura desta proposta pastoral, seguindo a sugestão do Papa Francisco, em relação à homilia: que tenha uma ideia, uma imagem, um sentimento.

UMA IDEIA: VAMOS COM ALEGRIA. SUBAMOS JUNTOS A JERUSALÉM.

Vamos com alegria!

Talvez pareça estranho associar “alegria” ao tempo penitencial e austero da Quaresma. No entanto, nós não fazemos parte daqueles que “escolheram viver uma Quaresma sem Páscoa” (cf. EG 6), mas sabemos que o caminho se define pela meta. E a meta é a Páscoa. E a Páscoa enche-nos sempre de alegria. Em boa verdade, só secundariamente a Quaresma prepara para a Páscoa. A Quaresma é já caminho e iniciação à Páscoa.  Todos os tempos vêm sempre depois da Páscoa e por causa dela.  Neste sentido, propomo-nos “caminhar alegremente para as próximas solenidades pascais” (cfr. Oração coleta do IV Domingo da Quaresma) e, reiteradamente, pedimos ao Senhor que nos dê “a alegria da salvação” (cf. Salmo 50, 4.ª feira de Cinzas e 5.º domingo da Quaresma).

O Evangelho, onde resplandece gloriosa a Cruz de Cristo, convida-nos insistentemente à alegria. A nossa alegria cristã brota da fonte do seu coração transbordante, que é a Cruz de Cristo. Ele promete aos seus discípulos: «Vós haveis de estar tristes, mas a vossa tristeza há de converter-se em alegria» (Jo 16, 20). E insiste: «Eu hei de ver-vos de novo! Então, o vosso coração há de alegrar-se e ninguém vos poderá tirar a vossa alegria» (Jo 16, 22).

Subamos juntos a Jerusalém!

Com estas palavras, “subamos a Jerusalém”, o Senhor convida os seus discípulos a percorrer com Ele o caminho que, da Galileia, leva ao lugar onde se realizará a sua missão redentora.  Este caminho para Jerusalém, que os Evangelistas apresentam como o coroamento do itinerário terrestre de Jesus, constitui o modelo da vida do cristão, empenhado em seguir o Mestre, no caminho da Cruz.

Cristo faz-nos este convite a subir. E fá-lo agora com um vigor particular na Quaresma, tempo favorável para nos convertermos e encontrarmos de novo a plena comunhão com Ele, participando intimamente no mistério da sua morte e ressurreição.

Somos desafiados, pois, a «subir a Jerusalém», não ao Templo antigo – de que só resta o Muro das lamentações –, como os peregrinos hebreus de outrora, mas vamos ao Templo novo, demolido na sua Paixão e Morte, mas reedificado ao 3º dia, com a Sua Ressurreição.

É, pois, uma caminhada de conversão e crescimento espiritual, que nos leva a uma união mais profunda com Deus e à participação na sua glória.

Ao percorrer o caminho quaresmal que nos conduz às celebrações pascais, recordamos Aquele que «Se rebaixou a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte e morte de Cruz» (Fl 2, 8), razão pela qual Deus O exaltou, ao ressuscitá-l’O dos mortos.  Entretanto o itinerário da Quaresma, como aliás todo o caminho cristão, já está inteiramente sob a luz nova da Ressurreição que anima os sentimentos, atitudes e opções de quem deseja seguir a Cristo, pelo Caminho da Cruz.

UMA IMAGEM: A CRUZ E AS CINCO CHAGAS

Ressoa nos nossos ouvidos o Hino da Liturgia das Horas: “Troquemos o instante pelo eterno. Sigamos o caminho da Cruz. A Primavera vem depois do Inverno; a alegria virá depois da Cruz!

O Ciclo B da Quaresma tem uma tónica cristológico-pascal muito acentuada (como explicaremos mais adiante). Nos três domingos “cruciais” (3.º, 4.º e 5.º), o mistério pascal é-nos dado a contemplar, sempre na dupla faceta de “templo destruído e reconstruído” (3.º), de “serpente espetada e elevada no poste” (4.º), de “grão de trigo que morre para frutificar” (5.º). São vários sinais ou símbolos, mas todos eles relativos ao mesmo mistério pascal, de destruição e de reconstrução, de humilhação e de exaltação, de morte e ressurreição, de cruz e de luz.

A Quaresma é uma descida humilde dentro de nós e rumo aos outros. É compreender que a salvação não é uma escalada para a glória, mas um abaixamento por amor. É fazer-nos humildes. Neste caminho, para não perder o rumo, coloquemo-nos diante da Cruz de Jesus: é a cátedra silenciosa de Deus.

UM SENTIMENTO: A ALEGRIA PASCAL QUE BROTA DA CRUZ DO SENHOR

O grande sentimento a despertar é o da alegria pascal, que brota da Cruz do Senhor. “A última-última razão da minha alegria é a Páscoa” (J.L. Martim Descalzo, Razões da alegria, 203).  “O Precónio Pascal canta um mistério realizado para além daquilo que eram as esperanças proféticas: no anúncio jubiloso da Ressurreição, o próprio penar do homem acha-se transfigurado, ao mesmo tempo, que brota a plenitude da alegria da vitória do Crucificado, do Seu Coração trespassado, do Seu Corpo glorificado e dissipa as trevas das almas. Esta alegria pascal não é somente a de uma transfiguração possível: é a alegria da nova presença de Cristo Ressuscitado, ao dar aos seus o Espírito Santo para que Ele fique com eles” (São Paulo VI, Gaudete in Domino, n.º 28).

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