Neste espaço publicamos semanalmente as homilias do Pe. Emanuel Brandão.
Domingo de Ramos (29/03/2026)
Com Cristo entre a aclamação e a cruz
A nossa existência humana é marcada por uma profunda ambivalência. Há momentos em que somos acolhidos, apoiados e estimados pelos outros; noutros, experimentamos a crítica, a incompreensão e até a rejeição. Por vezes parece que a nossa vida progride e cresce de forma constante; noutras ocasiões sentimos que recuamos ou que tudo se torna mais difícil. Assim, a nossa história pessoal é tecida de vitórias e de derrotas, de esperança e de fragilidade.
À luz da fé, podemos reconhecer nesta experiência humana algo que encontra eco no mistério que hoje celebramos. De certo modo, a nossa vida participa da experiência vivida por Jesus no Domingo de Ramos e na sua Paixão. A liturgia começa com a recordação da entrada messiânica de Jesus em Jerusalém, quando é aclamado pela multidão como Aquele que vem em nome do Senhor. Mas, logo a seguir, no Evangelho da Paixão, escutamos também o relato dramático da sua rejeição, do abandono e da condenação à morte.
A atitude de Jesus, tanto na aclamação como na rejeição, permanece sempre a mesma: uma fidelidade total ao projeto de Deus Pai. Aquele que orienta a sua vida para o serviço do Senhor não se deixa deslumbrar pelos sucessos nem se deixa abater pelos fracassos. Mais importante do que ser aclamado ou compreendido pelos outros é permanecer fiel à missão que Deus nos confia.
Por outro lado, o Domingo de Ramos recorda-nos que o único caminho para alcançar a vida verdadeira e a plenitude passa necessariamente pela cruz. É o caminho do serviço humilde e do amor que se entrega. Assim, contemplando Cristo que entra em Jerusalém para dar a vida, somos convidados a compreender que a glória de Deus manifesta-se no amor que serve e se doa até ao fim.
Quem vive para dar a vida pelos outros e sabe que caminha para um fim de plenitude, porque a Paixão de Cristo só encontra o seu verdadeiro sentido à luz da Ressurreição, transforma as dificuldades em desafios e vê tanto as críticas como os elogios como um apelo permanente à conversão e a servir cada vez melhor.
Quem não vive centrado em si mesmo, mas orienta a sua vida para o serviço, abraça a cruz do sofrimento e da incompreensão com amor. Assim, caminha sempre com esperança e determinação, confiando que o caminho da entrega e do amor conduz à vida nova que Deus promete.
Iniciemos esta Semana Santa com o firme propósito de caminhar com Cristo pelos caminhos da vida, nas derrotas e nas vitórias, abraçados à sua cruz, que é para nós fonte de salvação, de alegria e de esperança.
Ámen.
P. Emanuel Brandão
